A maquininha cobra do negócio a cada venda no cartão. No Pix e no dinheiro, não. Por isso muitos salões, clínicas e prestadores de serviço trabalham com dois valores: um no Pix e no dinheiro, outro no cartão.
A regra é simples. O que dá errado é a forma de contar para a cliente.
A mesma regra, duas frases
Compare:
❌ "No cartão tem acréscimo de R$ 5."
✅ "No Pix ou dinheiro fica R$ 49,99; no cartão, R$ 54,99, porque a promoção é para Pix e dinheiro."
O valor é o mesmo. A primeira frase soa como multa: a cliente escuta que está sendo punida por querer pagar no cartão. A segunda conta a mesma coisa como vantagem de quem paga no Pix, e a cliente escolhe sem se sentir cobrada a mais.
Palavras como acréscimo, taxa e juros carregam essa ideia de castigo. Um salão com quem trabalhamos proibiu as três no atendimento — e com razão: é o tipo de palavra que vira reclamação, print e avaliação ruim.
É permitido cobrar diferente?
Sim. Desde 2017, a Lei nº 13.455 permite oferecer preços diferentes conforme a forma de pagamento, desde que a informação fique clara para o cliente antes da compra. Na prática, o caminho mais tranquilo é o que a própria lei estimula: o valor de referência é o do cartão, e o Pix e o dinheiro têm um valor melhor. Na dúvida sobre o seu caso, vale confirmar com o seu contador.
Três cuidados que evitam confusão
1. A diferença é no total, não por serviço. Se a regra é "R$ 5 a mais no cartão", uma cliente que faz quatro serviços paga R$ 5 a mais, não R$ 20. Parece óbvio, mas é o erro mais comum quando a conta é feita item a item.
2. A diferença pode mudar com o dia. Em dia de promoção, o Pix fica bem mais barato e a diferença para o cartão cresce; nos outros dias, é menor. Escreva as duas regras, e deixe claro qual dia é qual.
3. Diga os dois valores de uma vez. "No Pix fica X; no cartão, Y." A cliente decide ali mesmo, sem uma segunda rodada de perguntas.
Quando quem responde é a IA
Aqui mora o risco. Se a assistente virtual aprendeu a regra só por texto, ela vai errar a conta: somar por serviço, aplicar o valor do dia errado, ou — pior — dizer que "não há diferença no cartão" quando há. E vai usar a palavra que a dona proibiu, porque é a palavra mais comum para descrever essa situação.
O jeito seguro é o valor do cartão sair do sistema, não da IA:
- no painel, em Automação › Agendamento, o quadro 💳 Valor no cartão (débito ou crédito) tem dois campos: Em dia de promoção (R$) e Nos outros dias (R$). Vazio significa sem diferença;
- o sistema calcula o total no cartão uma vez por pagamento, pelo dia do atendimento;
- quando a cliente escolhe cartão, a cobrança já sai com esse valor, e o registro no balcão soma sozinho em Débito ou Crédito;
- a frase para a cliente segue o modelo "no cartão o valor fica R$ X, porque a promoção é para Pix e dinheiro" — sem "acréscimo" e sem "taxa".
A IA conversa; a conta é do sistema. É a mesma lógica de a cobrança que confirma o horário certo e de vários serviços numa cobrança só.
Escreva a regra da casa
Mesmo com o valor calculado pelo sistema, a cliente vai perguntar "por que no cartão é mais caro?". Deixe a resposta pronta na base de conhecimento da IA, com as palavras que a sua casa usa — e com as que ela não usa. Uma frase curta resolve:
"O valor promocional é para Pix e dinheiro. No cartão, o valor fica R$ X. Nunca use as palavras acréscimo, taxa ou juros."
Para ir além, veja como cobrar antes de agendar pelo WhatsApp e o fechamento de caixa quando o dinheiro entra pelo WhatsApp.